O que é um jogo?

Muita gente, principalmente no meio de desenvolvimento de jogos eletrônicos, tem se perguntado onde fica a linha entre obras de arte interativa e jogos, principalmente entre aquelas que se expõe em meios digitais e videogames. O que é um jogo? Obras interativas podem ser consideradas jogos? Jogos podem ser consideradas obras de arte interativas? Existe algo que diferencia as duas coisas? E se existe, o que acontece quando essa linha é apagada?

Acabei de assisti um episódio de James Recommends, em que o apresentador do programa, um Game Designer que admiro muito chamado James Portnow, analiza um jogo chamado Selfie: Sisters of the Amniotic Lense. E essa análise me fez pensar sobre essas questões, e eu gostaria de dividi-las aqui no blog. Continuar lendo

Anúncios

Sobre Ser Mulher, Ser Trans, Mas Não Ser Binária

Modelo: CityUndead

É fácil dizer que uma mulher é qualquer pessoa que se identifique como tal. E por mais que isso seja verdade, não anula o quanto mulheres trans não-binárias muitas vezes acabam se sentindo sozinhas e menos mulheres que as outras.

Depois que uma mulher trans se assume como mulher, há uma pressão social para que ela entre no binário. “Faz a barba”, “usa maquiagem”, “anda direito” muitas vezes parecem ordens dadas pelo bem da passabilidade e da heteronormatividade em vez de serem simples sugestões para ela experimentar durante a transição.

E se eu preferir chamar minhas amizades de “cara”, “meu” e “maluco” no lugar de “miga”? Será que eu perco minha feminilidade? Continuar lendo

Trans In Games – Dragon Age: Inquisition – Krem

Hoje nós vamos falar de: Meninos!

Ou melhor, homens.

Ou melhor, um homem muito específico.

Um homem que só de eu ver aqueles pixels perfeitos formando a mandíbula mais sexy do mundo e ouvir aquela voz de anjos guerreiros descendo para a Terra em proclamação de divindade já fico – sem eufemismos aqui – toda molhada.

E além desse homem ser a coisa mais sexy que já saiu de um videogame, ele é o primeiro homem trans a ser tratado com respeito e sem qualquer tipo de apagamento dentro de um videogame AAA.

Spoilers de Dragon Age: Inquisition (e em menor grau de DA: Origins, DA2, e da HQ, DA: Those Who Speak) à frente!

Muita gente nessa indústria tem o que aprender com Dragon Age e com… Continuar lendo

Quantificando Aparências, Parte 2

Na primeira parte dessa matéria nós falamos sobre os problemas que sistemas sociais muito simples podem gerar em uma mesa de RPG, introduzimos a ideia de PdP (Pontos de Personagem), e falamos sobre como o atributo Aparência do sistema Storyteller não faz sentido nenhum.

Mas também dissemos que a edição de 20 anos de Vampiro: A Máscara consertou esse problema. Agora nós vamos falar dessa “resolução” criada na edição de 20 anos, e de outros jogos que trataram desse problema de forma diferente: Storytelling e AGE. Continuar lendo

Trans In Games – Catherine – Erica Anderson

Você já ouviu falar em transmisoginia?

É quando até o nome da personagem trans do seu videogame favorito é uma “piada” em relação à sua identidade de gênero.

É quando uma mulher trans é tratada como um ser mentiroso e promíscuo cujo único objetivo na vida é “emgayzar” pobres homens héteros.

SPOILERS de Catherine à frente.

Hoje nós vamos falar das pequenas formas veladas de opressão masculina cisgênera, incorporadas na forma de… Continuar lendo

Quantificando Aparências, Parte 1

Arte por NellielTu

Aspectos sociais de RPGs de mesa costumam ser importantíssimos, mas muitas vezes acabam se tornando mecânicas de segundo plano em frente ao combate.

Poucos são os jogos em que a habilidade de seduzir e a habilidade de diplomacia são duas coisas diferentes com seus próprios méritos. E de qualquer maneira, ambas as habilidades muitas vezes acabam se facilitando graças a aparência física da pessoa em questão.

Entretanto, quando se trata de quantificar essas habilidades na hora de jogar, tudo isso acaba se confundindo com “a personagem é bonita”. E isso é um problema. Continuar lendo

Meninas Escoteiras recusam doação de doadores transfóbicos

Enquanto nossos políticos no Brasil decidem se crianças devem ir pra cadeia ou não, me deparei com a mais linda e fofa de todas as notícias.

As meninas do grupo de escoteiras Girl Scouts of Western Washington ficaram animadíssimas quando receberam a notícia de que estavam ganhando US$100.000,00 para levar mais 500 garotas para seus acampamentos.

Mas a doação vinha com uma nota.

“Por favor, garantam que nosso presente não será usado para ajudar garotas transgênero. Se isso não for possível, por favor devolvam o dinheiro.”

Elas recusaram.

E o resultado foi maravilhoso. Continuar lendo