Resenha: Arkham Horror

Alguém me responde: Como se cria um jogo de horror sem feedback audível e com o mínimo de feedback visual?

Criar um jogo de mesa de horror sem ume narradore parece contra intuitivo. Como pode o jogo gerar tensão e medo sem esse tipo de feedback? Não há nada para manter es jogadores em estado de alerta, e sem esse estado, o sentimento de controle do jogo seria constante, não?

Errado. Existe um motivo pelo qual Arkham Horror é um clássico dos jogos de tabuleiro, e não é só pela sua temática lovecraftiana.

urlArkham Horror é um jogo de tabuleiro cooperativo que pode ser jogado entre 1 até 8 jogadores . As regras dele são meio complicadas de se aprender, e nas suas duas primeiras sessões, haverá muita consulta do livro de regras.

Neste jogo você deve escolher algume des váries investigadores (personagens de jogadores) disponíveis (impressionantemente, o jogo tem várias personagens femininas fortes pra você escolher), e tomar o seu papel na luta contra algum Grande Antigo que está prestes a acordar do seu sono profundo para trazer destruição para o mundo.

Cada investigadore tem suas próprias habilidades especiais e status que podem ajudar-lhe na sua busca. Investigadores também podem ficar mais poderoses com a aquisição de itens, feitiços, habilidades e aliades, e isso pode dar um certo senso de controle sobre o jogo. Um sentimento que faz bem para quem está jogando, mas é completamente falso, pois esse jogo é muito difícil de ser vencido.

O objetivo do jogo é vasculhar Arkham, a famosa cidade fictícia criada por H.P. Lovecraft, atrás de pistas, fechar os portais interdimensionais que se abrem pela cidade, e derrotar os monstros que saem desses portais, e garantir que o Grande Antigo não acorde (e caso ele acorde, fazer-lhe cócegas o suficiente pra que ele resolva ir dormir de novo).

A tensão do jogo começa na escolha do Grande Antigo que está prestes a acordar e devastar Arkham. Quando es jogadores veem as fichas de todos os Grandes Antigos disponíveis, quase todos os olhos são imediatamente atraídos para Cthullhu, já que ele é o mais famoso, e logo depois dele, Azathoth.

Pra quem não sabe, Azathoth é a maior e mais poderosa entidade existente na obra de Lovecraft. Não há nada no universo que seja maior que Azathoth, que tenha mais fúria que Azathoth, que seja mais incompreensível que Azathoth. E porque a ficha de Azathoth chama tanta atenção?

Azathoth

A dificuldade de batalha de Azathoth é infinita. Sua habilidade especial se chama “destruição absoluta”, que basicamente faz com que o mundo acabe e que es investigadores percam imediatamente caso ele seja invocado. E o seu ataque é, literalmente, “O Fim está aqui! Azathoth destrói o mundo”. Algumes jogadores irão escolher jogar contra Azathoth pela sua aparente dificuldade extrema, e algumes jogadores irão evitá-lo, justamente afim de evitar essa dificuldade.

Mas ambas as escolhas de contra quem lutar são simplesmente ilusórias. Mecanicamente falando, todos os Grandes Antigos são igualmente difíceis de se derrotar.

Arkham Horror é um jogo extremamente difícil, que não apenas requer estratégia, como também é extremamente dependente de sorte. E as mecânicas de jogo fazem de tudo para que a sorte só esteja do seu lado quando ele estiver afim de criar uma ilusão de controle do campo (a.k.a. no começo do jogo ou perto do fim).

Jogos de Arkham Horror variam muito, mas eles tendem a começar bem. Entretanto, logo as coisas começam a sair do controle. Quando você vê, têm monstros demais no campo, muitos portais abertos pro seu grupo dar conta, ou o Grande Antigo está quase acordando e vocês não creem ser capazes de fechar todos os portais antes que ele acorde.

watch_your_back_by_pahapasiArkham Horror é um jogo extremamente demorado, complexo e difícil (MUITO difícil). O aspecto horror do jogo encontra-se na iminente derrota des jogadores, e na sua gradativa perda de poder sobre o tabuleiro depois de um breve período de “we got this!”.

A única forma de vencer o jogo é tentar vencer ele rápido, antes que o Grande Antigo acorde. Pois mesmo que o Grande Antigo do seu jogo não seja Azathoth, o único jeito de derrotá-lo depois que ele já acordou é com pura sorte.

Todos os planos traçados pela sua equipe vão por água abaixo quando o Grande Antigo acorda, e na maioria das vezes dá pra ver que o jogo foi perdido antes des jogadores sequer começarem a lutar contra o bixo.

Porque é isso que acontece no mundo de H.P. Lovecraft: Você perde.

O jogo não dá uma sensação de pequenesa diante do universo, mas sim uma sensação de impotência diante do próprio jogo, que é a essência dos jogos de horror.

Além disso, Arkham Horror é ajudado por uma escrita fenomenal em cada uma das suas cartas de eventos e itens, por mais que o estilo de escrita dessas cartas me lembre mais Fallen London ou Welcome To Night Vale do que as obras do próprio Lovecraft. Algumas cartas descrevem situações de horror pesado. Outras são cômicas, aliviando a tensão do jogo e deixando ele divertido, mesmo quando o grupo perde.

Em conclusão, Arkham Horror é um ótimo jogo para uma audiência hardcore, que não é intimidada por várias regras muito complexas, e que não é intimidada pela iminente derrota.

É divertido perder um jogo de Arkham Horror. Mais até do que ganhá-lo.

Akrham Horror é, entretanto, um jogo meio grande, caro e difícil de se encontrar no Brasil. Sei que lá nos EUA dá pra encontrar ele por volta de 60 dólares.

arkham-horror-3D-board-layout

Um tabuleiro de Arkham Horror


Bônus Round: Fora da Caixa – Locadora de Jogos de Mesa

11403100_1624891481083719_8018964167354530847_nEu e minha amiga alugamos esse joguinho maravilhoso numa locadora aqui de Curitiba chamada Fora da Caixa, em que… Eles alugam jogos de mesa fora da caixa XD.

Na minha sincera opinião, os preços da locadora estão um pouco alto demais, principalmente os seus planos mensais, e o tempo de retenção dos jogos também me parece ser longo demais pra ser saudável (mas talvez eu tenha tido essa impressão porque a entrega da minha locação foi atrasada graças a uma série de reformas pela qual a loja estava passando).

Entretanto, nós fomos muito bem atendidas por lá, os lojistas amigavelmente se ofereceram para nos ajudar a encontrar um jogo para jogarmos, e um deles foi extremamente informativo em relação aos conteúdos dos jogos. E graças as suas recomendações, nós decidimos jogar Arkham Horror.

Nos trataram com o devido respeito aos nossos pronomes e nomes sociais, mesmo comigo expondo minhas preocupações em relação ao uso do nome social no contrato com a locadora. Sem falar que a loja parece um ambiente muito legal e convidativo pra jogar joguinhos de mesa.

A Fora da Caixa fica dentro de uma loja de jogos de mesa chamada Vila Celta, que está localizada na Rua Doutor Faivre, Nº 115, perto do Colégio Estadual do Paraná. Se você estiver afim de alugar uns joguinhos de mesa, eu recomendaria dar uma olhada.

Você pode olhar todo o catálogo de jogos da Fora da Caixa na sua página no facebook.

Anúncios

Um comentário sobre “Resenha: Arkham Horror

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s