Criticando Videogames

Sabem o que é uma bosta em relação à crítica de videogames? Ninguém sabe como fazer eles.

Algumas semanas depois da minha crítica à Life Is Strange eu notei que haviam coisas faltando nela. Observações que eu deveria ter feito sobre a forma como os níveis foram criados, sobre os momentos de imersão e a falta dela dentro do jogo, sobre o desenvolvimento e o não-desenvolvimento de algumas personagens. Foi uma resenha rasa  que não serviu para mostrar minhas opiniões mais aprofundadas sobre o jogo nem para gerar uma discussão profunda sobre o conteúdo do mesmo.

Eu dei uma opinião rasa, rápida e fácil de ler que serve apenas para duas coisas: Recomendar e/ou não recomendar o jogo pra pessoas que podem gostar ou não dele, e me treinar enquanto escritora e crítica.

Como minha primeira resenha, é óbvio que ela ia ser ruim. Ela é inconsistente no que deseja fazer, falando sobre das realizações narrativas que o jogo consegue fazer, mas reclamando de aspectos técnicos como a animação do jogo (que é bem ruim, mas enfim).

Mas deve haver algum lugar onde eu aprendi que essa deve ser a forma de se escrever uma resenha, não é verdade? Bem, sim.

Desde os anos 80 as revistas de videogame tem falado sobre jogos de uma maneira completamente subjetiva, sem nenhum valor acadêmico e puramente comercial. A forma como resenhas de videogames tem sido escritas mudou muito com o passar dos anos, com aquela parada oitentista de “resenhas que você pode ler em um minuto” se tornando algo do passado a favor de resenhas em vídeos de 10 a 30 minutos (graças às técnicas de monetização do YouTube). Mas a essência continua a mesma: Subjetiva a gosto e focada ne consumidore antes des desenvolvedores.

E eu creio que essa seja a parada com resenhas. Eu não posso falar sobre resenhas de livros, filmes, séries, álbuns, shows, etc, afinal eu não leio elas e elas não fazem parte da minha realidade. Filme eu vejo o que tem o título mais legal e livro eu leio recomendações de amigues e autores que já conheço e gosto. Mas resenhas de videogames estão sempre comigo e eu sempre leio elas, e eu posso afirmar que existe valor nisso.

Eu dizer que uma resenha é rasa ou focada ne consumidore não é algo ruim. Muitas vezes é exatamente o que a pessoa que está lendo, ouvindo ou assistindo a resenha precisa ou deseja. Essas resenhas existem para que a pessoa possa realizar uma decisão educada sobe qual jogo ela deve ou não comprar. Afinal dinheiro é um recurso limitado e a gente não pode sair comprando tudo que vê na tela inicial da Steam só pra ver se gosta. Resenhas salvam a vida e o bolso de muites gamers que preferem – ou precisão – conseguir seus jogos por meios legais. Resenhas são capazes de mostrar, através da subjetividade de ume resenhista ou outre, quais jogos essa pessoa pode achar ou não que vale a pena pagar pra jogar.

É importante que a indústria tenha resenhas assim que defendam le consumidore de atrocidades à dignidade humana tais quais Star Wars Battlefront EA (o exagero foi intencional. Não levem isso pro lado pessoal ;-; amo vocês, e vocês podem gostar de battlefront a vontade, ok? Não quero brigas ;-;). Mas essas críticas não fazem bem algum à designer além de vender o seu  jogo para o seu publico alvo.

É isso que eu quero dizer com “raso”. Pouquíssimas dessas resenhas são capazes de criar críticas construtivas reais para quem fez o jogo. Geralmente as melhores dessas críticas são comparações com outros jogos que le designer pode olhar e tentar perceber as nuancias da diferenças de design dos dois por conta própria. Mas a resenha quase nunca poderá realmente poderá indicar com precisão à desenvolvedore do que precisa ser melhorado no seu jogo. E isso se dá pela simples ignorância das pessoas que escrevem essas resenhas em relação a como se faz um jogo. Essas resenhas são boas pra indústria dos videogames, mas não tanto pra arte dos videogames.

E não há nenhum problema real nessa ignorância. Videogames são complexos, e normalmente exigem equipes de especialistas para serem feitos. E alguém que manja muito de Level Design ou teoria narrativa pode ser ume complete pateta quando se trata de programação (euzinha). E mesmo que existam LENDAS do desenvolvimento de videogames (tipo o Toby Fox que fez a porra de um dos melhores jogos de 2015 SOZINHO) que sabem fazer TUDO, é difícil que uma pessoa consiga sumarizar todos os aspectos técnicos, narrativos, psicológicos, sociológicos e etc de um videogame sem que ela tenha um trabalho quase herculeano de produzir isso. E quem vai fazer isso se não há público pra consumir isso?

Acho que a melhor coisa que nós podemos ter para suprir essa profundidade “acadêmica” que os videogames como forma de arte precisam, a melhor coisa que nós podemos ter são conversas. Vai e vem de ideias mais específicas e focadas. E isso está acontecendo. Em um grau pequeno, mas está.

No canal Extra Play do youtube, designers jogam videogames dividindo o seu insight profissional em certos aspectos de cada jogo; dando opiniões prolongadas sobre o seu funcionamento, mecânicas, níveis, narrativa – sem jamais querendo julgar o valor do jogo – mas sim trocando ideias com ele.

Então eu tenho um questionamento a fazer para mim mesma:

Por que eu deveria entrar no trem de resenhar jogos afim de informar potenciais consumidores? Pessoas que vem aqui provavelmente já jogaram os jogos sobre os quais eu falo e vêm para ler sobre questões específicas, como transgeneridade em jogos ou a função de dados de RPG.

Sem falar que esse é um blog anarquista no qual eu ABERTAMENTE APOIO PIRATARIA. Se nós da pequena comunidade de leitores desse blog nos damos a permissão para piratear qualquer jogo que queiramos jogar, qual é o objetivo de uma resenha de um produto famoso afim de informar se vale a pena ou não comprá-lo?

Não há motivos para isso aqui. Já tem um bilhão de sites que fazem isso, bem melhor do que eu jamais poderia. Eu quero falar sobre jogos como obra de arte, não produtos. Eu quero falar com artistas e pessoas que apreciam arte, e não com produtores e consumidores. Dá pra entender a diferença?

Então acho que no lugar de escrever resenhas, meu objetivo seria escrever recomendações de jogos que podem ser interessantes ou não, além de continuar com os debates de aspectos específicos desses videogames para que possamos entender melhor a arte dos videogames.

Mas existe um outro lado pra esse debate. Jogos de mesa. O que eu disse aqui, por enquanto, não se aplica totalmente a jogos de mesa. Jogos de mesa tendem a ser mais simples de sumarizar, criticar e recomendar, por serem inerentemente menores do que a grande maioria dos videogames. E jogos de mesa são caros. Quase sempre você será obrigade a usar dinheiro para conseguir jogar um desses jogos. E o que acontece se você gastar seu dinheirinho suado pra comprar ou alugar algo como Mt. Skullzfyre, que é capaz de insultar e enojar a maioria des jogadores, só porque ele tem uma capa chamativa?

Não tem muita gente falando sobre jogos de mesa da mesma maneira que falam sobre videogames, então acho que isso eu posso fazer aqui.

Pra ser bem sincera, eu ainda to tentando descobrir o que fazer com esse blog, e o que dá certo ou não dá. Mas obrigada por estarem comigo até agora.

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