Ubisoft: The Movie

Alguém aqui assistiu Assassin’s Creed? Em teoria eu assisti, mas não tenho certeza se isso funciona na prática. Esse filme não faz sentido nenhum. Assim como as práticas do mercado de videogames AAA. Esse filme parece até uma alegoria pra elas.

Eu vou ser a primeira pessoa admitir: Eu gosto de Assassin’s Creed. Assassin’s Creed é uma bosta hoje em dia, e a Ubisoft representa tudo que há de ruim na indústria AAA ocidental, mas eu gosto. Eu me divirto. Tenho uma tradição de sempre jogar o último assadinho junto com um amigo próximo meu e a gente adora cada nova entrada ruim na série.

Mas eu não posso perdoar o filme. E muito a Ubisoft.

E não se preocupem que não vai ter spoiler.

Eu sinto que o filme de Assassin’s Creed é uma alegoria. Uma alegoria para Tom Clancy’s The Division, ironicamente.

Normalmente este tipo de trabalho se inicia com a pessoa falando do que o filme se trata. Mas este filme é uma entidade tão sem propósito que eu não consigo nem fazer isso por vocês.

Tem esse cara, que não é o Desmond. Aí a família dele morre, e ele foge, mas anos depois é sequestrado pela “abstergo” pra reviver as memórias de um assassino da era medieval – que não é o Altair.

Além disso, você tentar adivinhar sobre o que esse filme se trata é tão válido quanto eu porque não existe um filme aqui.

Eu saí do cinema rindo com a minha namorada, falando sobre a minha sensação de que parecia que eu tinha assistido um filme negativo. Um filme que nunca existiu. Um anti-filme, se me permitirem. É como uma partícula cheia de energia potencial, mas nada acontece com ela. É como um trailer de 2 horas e 20 minutos.

O filme Assassin’s Creed é repleto de cenas legais, e interações interessantes – principalmente quando o protagonista começa a sofrer o Bleeding Effect. Mas essas coisas legais não tem contexto nenhum. Tem uma cena que o protagonista começa a duvidar da própria sanidade e eu só comecei a pensar comigo mesma “DAONDE ISSO SURGIU?”.

Na realidade, vários relacionamentos acontecem do nada nesse filme. Inclusive com personagens sem nome.

Depois de 2 horas de filme, quando a narrativa finalmente começa a tomar direção e pelo menos os arcos de 2 personagens mais ou menos meio que talvez começaram a aparecer… O filme simplesmente acaba.

Eu tive a sensação de que um filme foi escrito, planejado, e talvez até gravado alí. Mas por algum motivo, eles tiraram esse filme todo do produto final e só deixaram essa mistura de coisas… Incrivelmente desinteressantes. E é por isso que eu acredito que esse filme seja uma alegoria para The Division e outros jogos AAA modernos.

7uka0dc

Aposto que você nunca viu uma jaqueta tão icônica.

Eu digo The Division porque é o exemplo mais recente que nós temos de um jogo inacabado que espera que você cague dinheiro nele para ter a experiência completa, mas essa experiência simplesmente não existe.

Lembram quando foi liberada a pré-compra dos ingressos pra assistir Assassin’s Creed? Eu até fiz um post sobre o quão ridícula foi a empreitada. E a qualidade do filme é algo que eu deveria ter previsto, porque também faz parte das práticas mais infames da Ubisoft quando se trata de videogames.

A Ubisoft tem uma tendência de vender merchandising de uma coisa como se ela fosse famosa, sendo que ninguém ouviu falar dessa coisa. Isso aconteceu com o boné de Watch_Dogs, com a jaqueta de The Division, e ouso dizer: Com o filme de Assassin’s Creed.

A Ubisoft acredita que qualquer coisa que ela lançar vai alcançar imediato status de fama internacional, então no final das contas, muitos dos seus jogos não passam de vitrines de merchandising.

Tenho certeza que vocês já ouviram a piada “Ubisfot: The Game”, referenciando o fato de que praticamente todos os jogos AAA da Ubisoft desde 2011 tem sido a mesma coisa. Mais sobre isso aqui.

Os jogos que caem na categoria de “Ubisoft: The Game” tem alguns elementos narrativos em comum uns com os outros. Todos começam com um protagonista extremamente sem graça e potencialmente irritante, chato, repugnante ou simplesmente indigno de nota (muitas vezes todas essas coisas juntas) que ou não sabe se divertir e é UMA PESSOA SÉRIA™ ou é um drogado/bebum desgraçado que faz piadas ruins e inapropriadas. Este personagem, sempre um homem à propósito, se fode de alguma maneira e jura vingança. A vingança dele é deturpada no decorrer da trama com discussões políticas as quais você não liga a mínima e não refletem nenhum tipo de discussão séria. Todas as personagens de suporte são imediatamente esquecida da sua mente toda vez que você desliga o videogame, e todo o diálogo parece ter sido escrito por uma criança de 8 anos, ou por um executivo que conhece palavras longas o suficiente pra você ter preguiça de entender o que está sendo falado e parar de prestar atenção do fato de que essa pessoa não sabe escrever.

Todos os relacionamentos que o protagonista tem com outras personagens são extremamente superficiais, e eles acontecem da noite pro dia. Todos os eventos e missões que o protagonista faz parte são criados aparentemente de forma aleatória e desconexa com tudo que acontece no mundo, e geralmente ele não passa de um garoto de favores. Não há desenvolvimento de nada que acontece nesses jogos; as coisas só acontecem.

jljwoo7zorryi2vs3lnh

O protagonista ubisoft

Esse é o padrão Ubisoft desde 2011. E eu acho que a maioria de nós tem perdoado essas tramas ridículas por serem só “videogames”. Mas agora essa trama ridícula é um filme, e os problemas dessas tramas ficam ainda mais claros na telona. Porque? Porque esse filme é a mesma coisa que esses jogos: Uma vitrine pra pré-compra e merchandising.

O filme não precisa ser bom, o jogo não precisa ser bom. Você só precisa estar disposto ou disposta a gastar 1200 dólares em uma besta de brinquedo, ou 15 dólares em tatuagens temporárias de personagens que você nem conhece, mas de alguma forma parece “legal”.

Assassin’s Creed, o filme, parece mais um trailer gigante onde nada realmente acontece. Como eu nem se quer estava em controle desse nada, eu senti, pela primeira vez da minha vida, que ir assisti-lo foi uma perda de tempo. Não porque eu podia ter feito algo melhor com o meu tempo, mas porque eu senti que o filme mais parecia um buraco negro, que suga toda a matéria ao seu redor, o que um filme de verdade… É uma sensação difícil de explicar.

A sensação que não é difícil de explicar é como esse filme funciona exatamente da mesma maneira que esses jogos. Personagens superficiais, tramas sem sentido que não fazem a menor diferença na sua vida, diálogos infantis, vitrine para merchandising, e as malditas PRÉ COMPRAS.

E eu ouvi dizer que esse filme é completamente diferente se você assistir ele em realidade virtual, então tem até a parte das DLCs e da segregação de audiência com base no quanto cada pessoa investiu em assistir a parada.

Esse filme é uma piada, mas também é uma ótima ilustração de como as práticas que tem destruído a industria de videogames por dentro não fazem o menor sentido quando aplicadas em outras mídias. Porque faria sentido em videogames?

Se você tem vontade de assistir Assassin’s Creed, vá. O filme pelo menos é bonito e tem alguns throw backs legais pra época em que Assassin’s Creed ainda fazia sentido (do 1 ao 3).

 

E NÃO ESQUEÇA DE GARANTIR O SEU INGRESSO JUNTO COM ESSE NOVO PACOTE QUE TE PERMITE MUDAR O FILTRO AMARELO DO FILME PARA VERMELHO! POR APENAS U$9,99!

Ah, vai tomar no cu.

Não você. A Ubisoft. Você é linde, e eu acharia a sua beleza ainda mais estonteante se você me desse um suporte no Patreon pra que você possa ajudar esse blog a ficar ainda melhor.

patreon

Anúncios

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.