Trans In Games – Overwatch – D.va & A Apropriação Agressiva

Arte por KNKL

AAHHHHHH FINALMENTE TENHO UM COMPUTADOR DE VOLTA, PORRA!

Como é agonizante ficar sem me comunicar com vocês! Yeesh.

Mas agora eu to de volta, vai rolar altas novidades (então não esquece de me seguir no Facebook). E eu decidi chegar chegando.

É muito, muito raro quando uma desenvolvedora de videogames cria protagonistas trans de propósito. Eu falei já sobre apropriação transgênera em outro momento. Mas hoje eu quero falar sobre um fenômeno que eu creio ter pego a comunidade trans gamer um pouco surpresa, mas nos fez sentir ainda mais válidas do que nos sentíamos antes e iniciou um movimento ainda mais agressivo de apropriação transgênera da nossa parte.

Edit: Esse post é sobre MEMES que fazem parte de um movimento trans anarquista. A D.va NÃO é canonicamente trans e não é isso que to querendo dizer aqui. Ok? Ok.

Blizzard: Abominando violação de direitos autorais. De todas as formas e tamanhos.

E eu acredito que foi aqui onde tudo começou.

Comparações da D.va com personagens de Evangelion são inevitáveis. Porra, qualquer coisa envolvendo mechas e spandex vai ser inevitavelmente comparado com Evangelion.

Nós vimos D.va na roupa da Asuka, Asuka na roupa da D.va, D.va e Rei lado a lado.

A questão é que existe, de facto, uma personagem muito fisicamente parecida com a D.va em Evangelion.

O Shinji. Não apenas por eles terem o mesmo esquema de cores no uniforme (exceto pelo rosa), mas ambos tem cabelos bem parecidos e feições similares no rosto.

E com a internet sendo a internet… Alguém fez isso:

Terapia de Reposição Hormonal >6 Meses >24 Meses

Primeiro: CARALHO, queria ter visto todas essas mudanças nos primeiros 2 anos da minha transição hormonal. Crianças, não mandem manipular seus hormônios. Isso só vai atrasar sua transição.

Vocês conseguem ver uma narrativa aqui? É uma narrativa digna das fanfics mais escrotas da face da terra, sem qualquer pudor por canonicidade ou… sentido. Mas também é uma narrativa extremamente positiva e encorajadora pra molecada trans ao redor da internet.

Shinji é um menino inseguro, e todo o desenho o qual ele faz parte gira em torno da sua insegurança. Ele tem sentimentos complicados em relação a sua família, que é extremamente disfuncional, e não sabe se se sente atraído pelas duas garotas que trabalham com ele, ou pelo guri misterioso que apareceu depois (alguém fala pra ele que é tudo bem ser bissexual).

Aí algum dia, por algum motivo, qualquer que seja, ele descobre que existem pessoas transgêneras, e isso desperta um desejo e um sentimento nele o qual ele não conseguia dar nome. Ele começa a tomar hormônios, e é abandonado pela sua família disfuncional por eles não conseguirem entender isso. Shinji adota o nome de Hana e encontra um talento enquanto jogadora profissional de, sei lá, Titanfall 7.

Hana consegue encontrar significado e felicidade na sua vida que ela jamais havia conseguido alcançar como Shinji, e conseguiu uma auto-confiança que ela nem sonhava em ter antes da transição. E quando foi chamada pra fazer parte do programa MEKA, ela deicidiu encarar o seu passado e finalmente GET IN THE FUCKING ROBOT (ENTRAR NA PORRA DO ROBÔ).

Eu tenho a impressão, que pode estar errada, que a comunidade trans com menos de 27 anos lá nos states e na europa é majoritariamente geek/nerd. Se eu estiver errada podem me corrigir. Mas se esse for o caso, explica como e porque esse meme com uma narrativa tão diminuta conseguiu dominar tanto os espaços trans desde o lançamento oficial de Overwatch.

Essa história sumariza a vida de várias pessoas trans envolvidas no meio gamer de uma forma EXTREMAMENTE positiva. E apela para o surgimento repentino de mulheres trans em todo tipo de time profissional de e-sport. Mesmo ela sendo extremamente absurda se formos levar qualquer canonicidade em consideração.

Tá. Mas porque a D.va? Isso não podia ter acontecido com literalmente qualquer personagem de qualquer mídia? Essa narrativa é tão absurda que honestamente poderia ser aplicada a Pokémon ou a Roger Rabbit.

E sabem? Realmente foi. O movimento da apropriação transgênera enquanto protesto contra a cisgeneridade compulsória tomou uma curva ainda mais anarquista e ainda mais violenta contra o canon e contra o cis compulsivo.

A internet anda sendo um tanto quanto bombardeada por memes feitos por pessoas trans, envolvendo personagens completamente aleatórios, feitos com o único objetivo de: Desafiar e ofender gente cis. E as personagens mais absurdas acabam se tornando trans sem motivo nenhum além de incomodar.

Isso é anarquismo. E isso é genial. É quase o equivalente a quebrar vidro de banco dentro da cultura pop da internet. Acho que vou passar a chamar isso de vandalismo pop.

A D.va “transgenerizada” engloba vários ideais estéticos e sociais desse movimento: Padrão de beleza coreano, video games, cultura do “kawaii”, o fato de que ela é cheia dos sal pra jogar na galera durante as partidas. E o fato de que ela é uma mulher gamer que não leva merda de homem e representa milhares de outras garotas gamers que jogam overwatch e fazem a mesma coisa. A D.va trans, ao meu ver, é o principal símbolo do novo movimento da apropriação transgênera violenta.

Ei, nerds, sou eu. A garota gaymer (haha entendeu) q te faz joga teu controle na parede >;) Ah, e eu faço isso tudo com os meus peitos

Vou deixar com vocês algumas pérolas desse protesto, e a gente se fala depois.

É bom estar de volta <3

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