Resenha: Attack on Titan – Deck Building Game

Attack on Titan – The Deck Building Game é um jogo cooperativo (com modo de jogo solitário) de construção de baralhos desenvolvido pela Cryptozoic e publicado em novembro de 2016, baseado na série de animação japonesa de mesmo nome que FAZ MEU CORAÇÃO PARAR TODA SEMANA.

Infelizmente o jogo não faz o meu coração parar do mesmo jeito que o desenho, mas ainda é divertido.

Arte da caixa

Em um mundo em que existe Arkham Horror nós devemos admitir que jogos de mesa de horror tem um nível de qualidade esperada que é difícil de alcançar. E titãs muitas vezes podem ser tão horríveis pra quem lê o mangá ou assiste o anime quanto seres éldricos podem ser pra quem lê os contos do Lovecraft.

Eu tenho que dizer, entretanto, que o jogo de Shingeki no Kyojin (é o título japonês de Attack on Titan, e eu vou me referir tanto ao jogo quanto ao anime dessa forma a partir de agora) não alcança esses níveis de qualidade do gênero. Mas talvez ele nunca tenha tentado alcançá-los.

A primeira coisa que eu tenho que falar é em relação à impressão das cartas.

O verso das cartas é estranho pra dizer o mínimo, e não remete em nada a Shingeki no Kyojin. É só algum tipo de arte abstrata estilizando uma versão simplificada do logo da Cryptozoic.

Esse verso não é feio, mas é estranho pra dizer o mínimo. E não tem nada a ver com o tema. Se alguém me perguntasse de onde essa imagem é sem me dar contexto nenhum, eu diria que provavelmente é alguma coisa de Dragon Age Inquisition.

Eu acredito de coração que a Cryptozoic podia ter feito algo melhor dentro do tema. Mas quem sou eu né?

Além disso, as artes das cartas foram todas tiradas da primeira temporada do anime (screencaps e artes promocionais), então se você já curte a arte do desenho, GG. E as peças do jogo que compõe o tabuleiro – e as próprias cartas – são feitos de materiais muito bons. E eu diria que se você decidir comprar o jogo, é provável que ele vá durar bastante tempo.

Vamos falar do Gameplay.

Isso é claramente um jogo americano. Ele é cooperativo, mas é extremamente violento na luta dos jogadores contra os titãs pelo controle do tabuleiro. E os números são pequenos e inteligíveis com apenas uma olhada por cima da carta, e todos os efeitos são simples de entender (se fosse japonês tudo estaria multiplicado por 100 sem motivo nenhum além de estilo).

E eu não entendo muito bem como funciona o mercado de jogos físicos no Japão, mas por algum motivo esse jogo nunca foi publicado por lá. Mesmo sendo baseado num anime.

A tensão criada pela forma de embaralhar o baralho principal, que é uma mecânica comum em jogos de construção de baralho, é aleatória demais pra criar tensão de verdade. Todas as primeiras cartas podem ser titãs e você já perdeu o jogo, ou todas as cartas por vários turnos podem ser aliados e equipamentos, construindo seu baralho rápido suficiente pra que nenhum dos titãs pré-programados possa realmente ser um problema.

Nesse jogo é 8 ou 80: Ou você vai limpar o chão com a cara dos titãs logo de início (normalmente acontece jogando entre 3 ou 4 pessoas), ou eles vão te pisar até você dizer chega (normalmente acontece jogando solo ou entre 2 ou 5 pessoas). E acho que essas mecânicas, embora fraquejam o tema de horror do jogo, realmente remetem a algumas características do anime.

Shingeki no Kyojin é um anime que anda numa linha fina entre dois gêneros de histórias japonesas: Shõnen e Seinen.

Pra quem não sabe, Shõnen é o gênero normalmente voltado para garotos jovens na casa dos 13 anos de idade. Esse gênero normalmente envolve super-heróis, robôs, ninjas mágicos e poderes ridículos. Exemplos de anime Shõnen famosos são Cavaleiros do Zodiaco, Naruto, Bleach e One Piece, mas o gênero é abrangente o suficiente pra contemplar coisas como Tengen Toppa Gurren Lagann também.

Já Seinen é o gênero voltado pra pessoas adultas que trata de temas pesados como morte, identidade, sexualidade e trauma. Os Seinen mais famosos com certeza são Elfen Lied, Death Note, Berserk e Ghost In The Shell.

Como a maioria das grandes obras, Shingeki no Kyojin desafia classificação, e parece andar na exata linha que separa Shõnen e Seinen. Mas como isso se reflete no jogo de mesa?

Os protagonistas de Shingeki no Kyojin são pessoas incríveis! A Mikasa é a melhor lutadora e assassina de titãs da face da terra, o Levi é tão invcrível manejando a 3D gear dele que faz meninas questionarem a sua lesbianidade, e o Eren tem um poder incrível de gerar spoilers. Mas eles são tão vulneráveis quanto qualquer outro personagem e muitas vezes cometem erros. E quando você menos espera, algum personagem aleatório pode realizar o ato heroico do episódio. E pessoas que você ama morrem muito rápido nesse desenho.

Nesse jogo, ou você vai ser pisado sem chance de recuar, ou você vai ser a heroína que salvou os muros pra sempre da ameaça do titã colossal. E essa heroína talvez seja alguém improvável como a Sasha (a.k.a. a garota batata).

Eren é o protagonista do anime, e é compreensível que a primeira vista ele pareça ser o herói mais forte do jogo, a ponto de ser quebrado. Mas algumas partidas deixam bem claro que ele só é bom no early game, e se você sacou isso rápido, logo vai notar que os melhores heróis são aqueles que ganham bônus por montar baralho: Levi (compreensivelmente também) e o CONNY!

E se você foi pesquisar quem é Conny, SIM É O CAREQUINHA QUE NINGUÉM LEMBRA O NOME. POR ALGUM MOTIVO ELE TÁ NO MESMO NÍVEL QUE O LEVI NO JOGUINHO.

Os outros heróis existem basicamente pra dar suporte pro Eren, pro Levi e pro Conny.

Agora, porque que escolheram o Conny pra ter esse efeito que acaba tornando ele um protagonista tão grande eu não tenho ideia.

De qualquer maneira a sensação que chega quando você e seus amigos conseguem derrotar o último titã arqui-inimigo costuma ser boa, mesmo que por debaixo dos panos o jogo possa ser bem fácil.

E Shingeki no Kyojin é um jogo bem fácil se você está jogando com amigos e pode lidar com vários titãs sendo jogados de uma vez por ter mais gente jogando contigo. Mas se você quiser se desafiar, existem algumas opções. Shingeki no Kyojin tem uma dificuldade modular, e existem várias formas de você ajustar a dificuldade do jogo descritas no manual.

O maior desafio que você pode colocar para si mesmo, entretanto, é o modo de jogo solo. Isso sim é difícil, e quase me faz pensar que o jogo foi feito pra ser jogado solo (mas se você levar em consideração o problema de aleatoriedade que comentei mais cedo, o jogo pode se tornar difícil a ponto de ser injusto).

Mas, nós temos um problema seríssimo em relação aos heróis desse jogo:

Se você comprar o jogo AGORA, você não vai ver a Hange em lugar NENHUM do jogo. E se ela é sua personagem favorita do anime, como é o meu caso, isso vai te irritar bastante.

Acontece que a Hange foi lançada como uma heroína promocional limitada. E isso é ridículo.

Dois trios que nós acompanhamos o anime todo são Eren-Mikasa-Armin E Erwin-Levi-Hange. Colocar a Hange como personagem promocional não parece um conteúdo que deveria ser opcional num jogo desses. Ela é uma das protagonistas. É quase como DLCs que deveriam fazer parte do videogame base, mas arrancaram pra te vender depois como se tivessem te fazendo um favor.

E essa é a única falha do jogo que eu não tenho como perdoar.

No final das contas, Shingeki no Kyojin é um jogo legal, e eu super jogaria de novo. Não é o jogo de construção de construção de baralho mais interessante do mundo, não é o melhor jogo de horror do mundo, e não é o jogo de anime mais bonito do mundo. Mas ainda é legal.

Eu diria que nada justificaria comprar esse jogo, ainda mais com a falta da Hange. Mas alugar parece uma ideia massa.


Bônus: Rocky Raccoon & Tabula Venatus

Tabula Venatus é a penúltima locadora de jogos que abriu aqui em Curitiba, e tem de longe a pior localização das quatro. É uma lojinha minúscula numa galeria.

Não tem prateleiras pra olhar os jogos nem nenhuma forma de catálogo compreensivo com informações relevantes sobre os jogos disponíveis. E a galera pode jogar de graça os jogos no catálogo, mas é no corredor da galeria ou na praça de alimentação.

Mas essa locadora e essa loja ganham das outras em 3 quesitos muito importantes:

1. O Catálogo é gigantesco.

Like, seriously. É provavelmente o maior da cidade. Eles tem um caderninho com todos os jogos disponíveis – não é o melhor caderninho de todos pra você encontrar jogos novos – mas é enorme! Senhor Jesus.

2. É MUITO barato.

Sério. Desde que a Tabula Venatus abriu, a Fora da Caixa e a Vila Celta deviam sentir vergonha dos preços que cobram. Claro que justamente por ser barato eles estão crescendo mais devagar do que essas outras lojas, mas mesmo assim. Dinheiro é um recurso que a gente só tem tido menos. Quanto menos dinheiro a gente puder gastar com entretenimento, melhor.

3. Amor no coração.

A galeria pode ser fria, mas eu sou melhor atendida nessa lojinha pequena escondida no meio do Centro do que em qualquer Funbox da vida. 2 mulheres muito doces, gentis e simpáticas que vão te atender na loja, e isso vale o mundo pra mim. Eu to cansada de lidar com nerd suado pretensioso que ou não me vê como mulher ou fala comigo com interesse demais. Ter mulher te atendendo faz uma diferença ENORME. E honestamente, a Funbox, que até então era meu lugar favorito, perdeu um pouco do seu brilho quando demitiram a única mulher da equipe.

Eu vou dizer pra vocês galera, que a Rocky Raccoon pode não ser o melhor lugar da face da terra, mas é comparável à casinha simples de uma avó – na qual você pode ir e ter certeza que sempre vai receber carinho e ganhar bolo. No caso o carinho e o bolo sendo bom atendimento e simpatia das meninas.


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Até mais.

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2 comentários sobre “Resenha: Attack on Titan – Deck Building Game

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