O Feitiço de Ser Sua Própria Melhor Amiga

Arte por kimbbq

Eu honestamente não sei por onde começar com isso. O hype passou.

Eu não tenho o que dize pra vocês, mas algo, dentro do âmago do meu ser, diz que eu devo. Eu tenho uma obrigação moral de vir até vocês, leitoras e leitores, que tem me acompanhado na minha jornada até aqui a dois anos, e dizer o que aconteceu comigo nestas últimas semanas.

Eu quis escrever esse texto a mais de uma semana atrás, mas eu acabei decidindo não escrever porque eu tinha “responsabilidades” para atender. Mas existe alguma responsabilidade maior nessa Terra sagrada do que a responsabilidade que eu tenho comigo mesma e meu próprio espírito?

Infelizmente minha noção de tempo é distorcida por vários acontecimentos. Na realidade, ela sempre foi, mas agora especialmente eu não tenho ideia de quando ou como certas coisas aconteceram.

Mas eu devo satisfação pra vocês (porque eu ando escrevendo pouco) e pra mim mesma.

aviso de conteúdo: depressão, suicídio, alucinações

Acho que tem quase 2 meses que eu tentei me matar… De novo.

Um pedaço de mim diz que não foi uma tentativa de verdade. Eu finalmente havia sido receitada com antidepressivos cuja overdose seria mais do que certamente mortal. Eu tirei todos os comprimidos das cartelas e coloquei eles todos num potinho de remédio velho que eu usaria pra tomar todos os comprimidos de uma só vez.

Mas eu não consegui. Eu tomei três. Um de cada vez, com pausas enormes, enquanto ignorava mensagens no Messenger e no Whatsapp relacionadas a uma carta de suicídio que eu havia postado no Facebook aquela manhã.

Eu não fui parar no hospital – graças aos deuses (e ao fato de eu ter mentido sobre não ter tomado remédio nenhum). Minha vó veio ver como eu estava. E uma “amiga” que parece ter mais senso de responsabilidade do que amor. Foi… Irritante.

Eu queria que alguém viesse me resgatar, mas quando vieram, tudo que eu queria era ficar sozinha de novo. Eu fiz de tudo para desviar a atenção das duas e mandar elas embora para que não me enchessem a merda do saco.

Eu não ia me matar.

Meu lado saudável não me permitiria. Hel não me permitiria.

Meu lado doente – meu “barba azul”, o predador natural da Alma segundo Clarissa P. Estés – fica dizendo que isso nem se quer foi uma tentativa e eu só fiz escândalo pra chamar atenção. Mas se eu quis chamar atenção é porque havia algo errado. E considerando que eu não consegui me recuperar dessa tentativa até hoje, eu diria que tem tanto peso pra mim quanto se eu tivesse realmente corrido risco de perder minha vida na cama de um hospital.

O que eu aprendi com essa experiência?

Nada. Absolutamente nada a não ser o fato de que eu estou muito mais doente do que as pessoas dão crédito. A única coisa me mantendo de tentar novamente é a noção de que minha Deusa madrinha é a própria Morte, e minha fé n’Ela é forte o suficiente para acreditar que se ela me quisesse no seu reino, já teria vindo buscar minha alma faz tempo.

Arte por Xiwik

Não. Eu estou presa na vida. Nessa prisão de carne e osso que chamo de corpo.

Eu não quero continuar escrevendo. Essa entrada vai ser longa demais. Eu quero ir pra cama e chorar até amanhecer – e agora são 12:46. Mas eu persisto.

Em algum ritual do Projeto Roda do Ano, não me recordo qual, lembro-me de durante a meditação ser incapaz de reconhecer meu próprio corpo quando era hora de tornar à realidade.

Pois vejam, que quando fecho meus olhos e permito-me ver além do material, eu não me vejo como a pessoa que sou. Se quer vejo-me como humana. Eu me vejo como uma Ljosalfr – uma elfa de luz de Alfheim, da mitologia nórdica. Literalmente um ser feito de pura luz dourada, com vestidos de seda de ouro, uma armadura de batalha reluzente e dourada, e uma coroa de luz sobre a cabeça. E eu nem gosto tanto assim de amarelo. É como se eu tivesse sido forjada com o que sobrou dos cabelos de ouro de Sif.

Mas o meu corpo material?

Na psicologia Jungiana existe o conceito de Sombra, que é a parte da nossa psiquê que condensa tudo aquilo que não gostamos sobre nós mesmos. Nossas sombras são compostas por várias coisas, mas a psicóloga Clarissa P. Estés fala de uma parte específica da Sombra no seu livro Mulheres que Correm com Os Lobos.

Essa parte específica é aquela que preda na saúde da alma. São as vozes que duvidam da nossa capacidade, nos colocam para baixo, destroem nossa auto-estima e garantem que as doenças da mente sempre vão vencer. Esta parte da sombra ela chama de Barba Azul. Na maior parte das vezes o Barba Azul se manifesta na forma de outras pessoas. Outras vezes ele se manifesta como vozes e alucinações. Pra mim, o barba azul é tudo isso e mais – mostrando entre outras coisas a forma como eu vejo meu próprio corpo.

Eu acho que deve existir uma diferença entre a simples disforia de gênero que muitas vezes pode levar pra algum tipo de transição hormonal ou cirúrgica; e a minha disforia que beira a psicose.

Quando eu me sinto feia e que eu nunca vou conseguir ser feliz na minha vida por ter corpo de “homem”, a dor não para por aí. Eu começo a me coçar enquanto sinto que minha pele está se desfazendo de alguma forma. Nas minhas piores crises de disforia, minhas pernas se tornam aquelas de um cadáver. Minha barriga cresce como se eu estivesse com algum tipo de infecção no meu estômago. Os pelos no meu corpo se assemelham a vermes se alimentando da minha carne podre. E eu só não grito de desespero porque eu fui ensinada que surtar em casa é ruim e se eu começar a chorar as pessoas ao meu redor só vão ficar estressadas e me abandonar.

Durante um trabalho que realizamos baseado em Mulheres que Correm com os Lobos, meu Barba Azul tomou forma: Um monstro gigantesco com um falo quase tão grande quanto a sua barriga gulosa e o rosto de um porco.

Essa é a imagem que muitas vezes eu vi no espelho logo depois de sair do banho. E eu vou falar pra vocês que não existe animal mais repulsivo nessa terra pra mim do que um porco.

Não é culpa do bichinho, coitado. É culpa do que seres humanos fazem com eles. Um animal que foi tão agressivamente domesticado que perdeu todos os pelos do seu corpo e suas presas. Come literalmente lixo e restos. Tem seus genes modificados apenas para criar mais e mais gordura. E então é assassinado, esquartejado, e colocado como exposição em açougues para que as pessoas possam satisfazer suas próprias vontades de comer lixo sem ter que comer actual lixo. O que não é comida para satisfazer a gula humana é usado como decoração para satisfazer desejos sádicos dos seus mestres, colocando uma maçã na sua boca em mesas de natal ou como decorações em filmes de terror, mecânicas interativas em videogames sobre anorexia, ou decorações em shows de black metal (e minha repulsa por porcos só piorou assistindo Black Mirror, e portanto, minha repulsa a mim mesma)

Eu me ver como um porco, ou como tendo um monstro porco antropomórfico dentro de mim, serve apenas para mostrar o quanto eu odeio meu corpo.

E eu SEI que são alucinações. Eu SEI que não sou tão feia quanto eu acho que sou. Mas isso importa? Eu me vejo como igual a coisa mais repulsiva da face da terra. Eu SOU a coisa mais repulsiva da terra.

E agora eu realmente quero desistir de escrever esse texto, e são 13:31. Mas eu persisto.

Eu sempre me comparei demais com os outros. Mas chegou um ponto que eu comecei a comparar aparência também.

“Garotas asiáticas esteticamente prazerosas” foram páginas de Facebook que eu passei a seguir e passei a usar como munição para o meu ódio contra mim mesma. E uma pessoa que eu preferia nunca mencionar de novo nessa vida me introduziu ao mundo da Anorexia e me deu ainda mais tipos variados de garotas cis pra eu me comparar e me odiar no processo. Sem falar em novas técnicas de como destruir meu corpo e minha mente ainda mais enquanto me odeio.

Existe uma pessoa, entretanto, que não fez nada de mau pra mim. Me fez sorrir muito por muito tempo, e mesmo assim eu não consegui não me comparar com ela. Esta pessoa em questão é uma garota que eu acreditava ser a garota mais bonita do mundo. E eu dava tudo de mim pra essa garota. E quando eu digo tudo eu quero dizer, TUDO. Inclusive as partes que ela não merecia ter que enfrentar. Inclusive as partes que eu não deveria dar pra qualquer outra pessoa.

Eu amei ela como jamais amei alguém antes. E minha vênus em Escorpião tá aí pra mostrar o quanto eu posso me tornar obcecada com certas pessoas. Mas eu guardava sentimentos ruins contra essa garota.

Eu queria ser ela. Eu queria poder me ver como eu via ela, e não como eu me via quando olhava no espelho e enxergava aquele monstro de barriga inchada e pele pútrida. E eu queria que alguém me amasse como eu amava ela. Alguém que desse toda a sua atenção energia e capacidade pra mim como eu dava pra ela. (E se você está lendo isso agora. Não é culpa sua. Eu devia ter tomado mais cuidado de mim mesma. Nós fizemos tudo que nós podíamos)

Quando eu acordei aquela manhã, tudo isso havia culminado no meu desejo de morte.

E eu vou contar pra vocês uma história de superação de todas essas coisas. Mas antes disso…

Não existe superação de verdade, galera. Todas essas coisas que a gente conta pra nós mesmas e umas pras outras são histórias de uma batalha que provavelmente NUNCA vai ter fim. E se gente como eu e talvez como você tem capacidade de mantermos-nos vivas apesar das vozes, das alucinações, dos desejos quase incontroláveis de morte… A GENTE MERECE UMA PORRA DE UM PRÊMIO.

E eu me dei um prêmio. Não é prêmio suficiente por todo o sofrimento que eu passei, mas caralho, eu vou comemorar o que eu posso porque eu mereço muito mais do que essas merdas dessas doenças dizem que eu mereço.

Cara, escrever esse texto tá sendo um sofrimento.

Vocês devem saber que eu escrevi uma série de artigos referentes a violência em jogos. Poucas semanas depois dessa tentativa, eu decidir que iria terminar essa série antes de me matar. Terminar pelo menos essa uma coisa – a única coisa que eu faço bem – antes de ir atrás do meu próprio fim.

E eu terminei o texto depois de dias escrevendo basicamente um parágrafo de cada vez.

Pouco depois do texto ter sido publicado, eu tive outra crise suicida. Mas dessa vez, eu não tinha nenhum remédio letal comigo. Então eu passei a noite lendo artigos na internet sobre formas eficientes de cometer suicídio. Mas quanto mais eu lia, mais eu chorava. E é difícil ler quando seus olhos estão embaçados de lágrimas.

Eu pedi ajuda de novo. Dessa vez a única pessoa que pode ajudar foi o meu irmão, que simplesmente voltou pra casa e não me deixou ficar sozinha, por mais que não tenhamos conversado aquela noite.

Eu pedi ajuda da minha mãe por whatsapp – ela estava viajando. E a resposta dela doeu como uma faca (como sempre pra ser honesta), mas me deu a oportunidade de fazer algo que não tinha feito antes.

Essa mensagem eu havia mandado pra ela algum dia durante a manhã. E eu fui trabalhar chorando. Onde, por incrível que pareça, recebi suporte emocional do último tipo de pessoa que eu imaginei receber ele. Minhas chefes.

Foi aí que eu comecei a realizar algumas coisas e alguns pontos foram se ligando dentro da minha cabeça. E acho que é aqui que começa a parte positiva do post.

Eu assisti um concerto de música clássica alguns dias depois disso. Uma colega ia comigo, mas ela furou e não mandou mensagem. Eu fiquei estressada, mas disse pra mim mesma que não ia perder de ouvir uma das minhas peças favoritas só por eu estar desacompanhada (8ª sinfonia de Schubert).

Lembram que eu comentei de uma atividade envolvendo Mulheres que Correm Com Os Lobos que eu comentei ter participado? Bom, lá dentro eu descobri que uma das colegas que eu conheci fazendo essa atividade era a solista da próxima peça, que era um dos concertos para Piano de Beethoven. E não só isso, era a formatura dela na faculdade de Belas Artes de Curitiba. E outra colega que conheci na mesma atividade também estava lá.

Eu decidi não ir direto pra casa, e em vez isso, procurá-la nos bastidores.

E eu não me arrependi. Fomos até um bar, bebemos, nos divertimos e eu fiz novas amigas nessa empreitada, eu me convidaram pra sair com elas de novo no mesmo fim de semana.

E nem por um segundo minhas doenças se fizeram presentes.

You have no idea how huge this is.

Elas tentaram. E como tentaram. As duas noites que saí com elas foram uma luta contra os meus instintos mais básicos de me esconder debaixo da mesa e chorar. Mas eu consegui ser legal e simpática com todomundo simplesmente fazendo a coisa que eu sei fazer de melhor (além de escrever). Ser curiosa, sincera, fazer comentários inteligentes, e ser linda por dentro e botar isso pra fora.

Fazer essas coisas é difícil e exige muito de mim. Mas no final das contas parece ter valido a pena. Afinal de contas eu me diverti e expandi meus círculos sociais.

E aí eu fiz outra coisa na semana seguinte.

Lembram que eu falei que pedir ajuda pra minha mãe abriu uma oportunidade?

Eu… PLATINEI O CABELO!

HAH

GET IT?

Porque tem um troféu de platina na foto.

Eu vou calar a boca.

Fazer isso foi incrível e eu consegui me sentir bonita por quase uma semana inteira. Lembram que eu comentei que quando vejo meu corpo espiritual eu vejo uma Ljosalfr? Ter o cabelo dessa cor me faz sentir muito mais próxima dessa realidade e torna muito mais fácil eu enxergar mentalmente meu corpo físico.

Pra celebrar o fato de que eu finalmente fiz algo que eu quis fazer desde que assisti Frozen pela primeira vez, eu chamei a galera pra ir num novo evento de bruxaria e neo paganismo que tava rolando na cidade.

O total incrível de 1 pessoa foi comigo.

O meu barba azul quis fazer com que isso me abalasse. Mas eu me senti bem de não ter gente conhecida comigo.

Havia tanta gente pra conhecer e tantas danças medievais pra dançar. Durante a festa toda eu fui quase a única pessoa na pista de dança. De vez em quando alguma outra pessoa bêbada se juntaria a mim, mas eu dancei mais que todomundo naquela caralha, com total noção que eu estava dançando mal.

Meu barba azul, por todo momento que eu estive dançando, ficou cochichando que eu passei vergonha. Mas eu dancei até não aguentar mais.

Na real, ele só calou a boca quando uma música começou com uma invocação de Hel. Acho que barba azul nenhum tem poder quando a tua Madrinha tá no pedaço querendo dançar junto.

Eu estava me divertindo. Pelo meu próprio bem. Sem pressão. Sem expectativa.

Uma coisa que me ajudou a me divertir tanto essas três noites eu acredito que foi o fato de que eu n tava nem tentando ficar com ninguém. Eu estava lá pra me curtir e não curtir os outros.

E eu posso assegurar pra vocês com toda certeza do mundo que, eu sou minha própria melhor amiga.

Eu não me amo. Eu continuo com os mesmos problemas. Ante-ontem mesmo eu estava tendo as alucinações que descrevi. E a depressão não dá trégua – eu continuo pensando em me matar, mas aí lembro que a única “pessoa” capaz de ditar quando eu vou morrer ou não é Hel, então eu fico presa na cama sem querer fazer nada enquanto estiver presa nesses grilhões de carne podre.

Meus vícios de chamar atenção para os meus problemas na internet continuam sempre visíveis. E eu continuo frustrada com o fato de estar solteira.

Mas eu me toquei de duas coisas muito, muito importantes nesse meio tempo.

Coisas tem que morrer pra que outras coisas possam surgir.

Eu cortei relações com pelo menos 10 pessoas nas últimas semanas e tenho me esforçado para manter relativa distância de uma outra pessoa que eu gosto muito, mas se provou necessário ficar um pouco longe.

Se eu não tivesse desistido da colega que me deu bolo, eu não teria feito as amigas que fiz depois daquele concerto. Se eu não tivesse desistido da expectativa de companhia na noite daquele evento, eu não teria dançado tanto quanto dancei.

Minha dependência em outras pessoas é frustrante, mas eis que noto:

As pessoas te querem por perto tanto quanto você as quer por perto. E no meu caso isso geralmente significa: bem longe de mim.

Mas isso não significa que eu não posso ter amigos. Isso significa que eu tenho que encontrar a minha frequência afetiva com a qual eu posso contar para analisar a frequência afetiva de outras pessoas e avaliar o quanto eu posso contar com elas.

E noto que minha afetividade por parcerias não românticas é extremamente curta. Mas curta não precisa ser sinônimo de rasa. Na realidade minha afetividade tende a ser bastante intensa quando se trata de outras mulheres. Se eu pudesse trocar abraços, cafunés e beijos na testa e cuddles com todas as minhas amigas eu trocava.

A segunda coisa é que… Bom, várias pessoas falam que não se pode contar com os outros. Outras dizem que só você tem o poder de se fazer melhorar. Mas todas essas coisas são só meias verdades. Eu acredito ter chegado numa resposta um pouco mais concreta.

Você pode contar com os outros. Nada ajuda melhor com uma crise depressiva do que um cafuné carinhoso ou dedos correndo pelo seu rosto. Mas essas coisas… They only do so much (se alguém souber como traduzir isso me avisa). Elas são tão raras na nossa sociedade entre pessoas que não são um casal, que não vale a pena esperar que amigas suas farão isso. Mas você pode pedir. Se não derem isso pra você, não é culpa delas. É realmente um tabu e as vezes nós temos bloqueios em trocar afetos de verdade.

E caralho, eu comecei a chorar de tanta saudade que eu sinto de ganhar um cafuné.

Essas coisas são boas, mas além de serem mal vistas elas dependem de um contato físico que em meio de 2017 não é possível ter, com todomundo ocupado com trabalho e Facebook.

Ás vezes palavras de afeto também ajudam dependendo do tipo de pessoa que você for. Mas existe uma diferença bem grande em contar com os outros e depender dos outros.

Quando você conta demais com o carinho alheio, ele se torna um vício. Uma dependência química até.

E não existe nada de errado em depender de outra pessoa de vez em quando, como por exemplo em crises suicidas. Somos todas frágeis e precisamos de acalento de vez em quando. Mas faz isso demais e vai começar a machucar você mesma e todas as pessoas que você ama.

E na realidade é contra produtivo esperar que outras pessoas sejam capazes de lidar com suas crises depressivas, ansiosas, de pânico ou psicóticas. Porque não existe pessoa melhor equipada nessa terra pra lidar com as suas merdas do que você mesma.

Ninguém te conhece tão bem quanto você. Ninguém entende seus processos mentais tão bem quanto você. Ninguém vai te entender porque não tem como outras pessoas te entenderem. Seus problemas são seus e de mais ninguém.

As formas que as outras pessoas podem te ajudar com isso é mostrando técnicas de como lidar, ou dando carinho. Mas isso é a mesma coisa que ensinar feitiços e dar poções de mana.

A única pessoa capaz de usar esses feitiços é você porque o monstro que precisa ser derrotado… Vive aí dentro.

No meu caso extremamente específico o equipamento que eu mais uso pra lidar com as minhas crises são a certeza de que tudo isso não é real, e a minha fé na Grande Mãe e na minha Mãe Hel.

Mas o equipamento pra lidar com a vida em geral que eu acho que acabei de encontrar dentro de mim mesma é justamente o fato de que… Eu posso desejar pela companhia dos outros, ao mesmo tempo que não dependo de ninguém.

Minha diversão é apenas minha. Meu trabalho é apenas meu. E eu lido muito bem com a vida estando sozinha. E por mais que seja legal dividir essas coisas com outras pessoas, eu não perco nada aproveitando as felicidades da vida comigo mesma e apenas comigo.

Quando eu fumo meus cigarros, os quais eu me recuso a fumar socialmente, eu estou me lembrando de que eu sou minha melhor companhia. Que ninguém me ensinou a fumar e que eu nunca fumei por pressão social. E por mais que eu tenha sido ensinada a beber, eu só permiti que isso acontecesse a partir da minha própria Vontade, e portanto, também serve de lembrete de que eu existo para mim mesma e que eu faço essas coisas pelo meu próprio prazer.

Ser capaz de identificar e praticar meus prazeres solitários sem ficar olhando no celular a cada 5 segundos é, e será, meu treinamento constante pra me lembrar que eu sou uma pessoa. Que eu não sou minhas alucinações. Que eu sou capaz de felicidade sem outrem e que, e essa é a parte mais importante, eu sou capaz de discernir a realidade da fantasia por conta própria.

Eu ainda tenho muitos problemas pra resolver, com minha mente E corpo, mas pelo menos isso é um começo.

E tem tantas outras coisas que eu queria contar pra vocês. Como o que eu senti com o meu corpo em uma das atividades do bagulho das Mulheres que Correm Com Os Lobos. Ou sobre como é engraçado eu me ver como uma Ljosalfr sendo afilhada de Hel (é por isso que a Elsa Lich Queen é a capa dessa entrada). Mas eu já passei das 3700 palavras e essas outras coisas não são exatamente relevantes pra mensagem que eu queria passar.

Quem leu, obrigada por ler.

Amo vocês. Até a próxima.

São 16:36. Caramba.

PS: Vocês ouvem rádios de youtube?

Se não ouvem, deviam. Eu escrevi essa entrada inteira ouvindo lo fi hip hop na Chillhop Music e eu poderia viver de rádios de youtube pro resto da minha vida. É muito relaxante e não atrapalha nada que você possivelmente possa estar fazendo. Talvez até ajude.

EDIT: 3 horas depois de publicar o texto eu to chorando por causa de disforia. Não. Eu não to bem. Mas to lidando melhor do que antes.

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