Mas Naquela Época! Introdução & História do Preconceito Sexual

Fantasia Medieval. Meu gênero de ficção favorito pra ser honesta. Ele nos da dragões, magia, e uma base semelhante o suficiente a história do nosso próprio mundo pra explorar problemas mais pé no chão que talvez não sejam possíveis nos gêneros de ultra-high-fantasy ou sci-fi.

Okay, talvez isso seja só uma desculpa pra um certo fetichismo nórdico criado por Tolkien. Mas é um gênero MUITO popular! Principalmente no mundo do RPG. E justamente por ser tão popular ninguém pensa muito sobre. “Ah, é só mais um D&D” pensam os céticos quando olham pra uma caixa de Dragon Age. Mas algumas dessas caixas tem mais do que os olhos podem ver.

John R. R. Tolkien, Robert E. Howard, Dave Arneson e Gary Gygax criaram todas as regras silenciosas da Fantasia Medieval, que ninguém questiona ou põe a prova. E os seus trabalhos eram abertos o suficiente (principalmente o D&D) pra que qualquer suposição que o seu publico alvo tem sobre a realidade acaba entrando ainda mais silenciosamente dentro desse léxico fantástico.

E eu quero desafiar esse léxico. Muita gente gosta de usar esse gênero de fantasia pra justificar comportamentos preconceituosos, usando principalmente do argumento “MAS NAQUELA ÉPOCA”. E é disso que se tratará essa série de textos. Eu quero desafiar a noção do público da Fantasia Medieval de o que “aquela época” significa. E com isso talvez você saia daqui aprendendo alguma coisa nova.

Vamos começar pelo começo. Literalmente. Continuar lendo

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Representando a expressão não binária

Deusa abençoe a desenvolvedora que apareceu pra falar comigo ante-ontem pedindo conselhos sobre inclusão não-binária pro jogo dela.

Sério, amiga. Sem você eu não teria o que postar esse mês no  blog (mentira, teria sim, mas eu to enrolando o máximo possível pra falar sobre o assunto que eu tenho guardado aqui comigo).

Então vamos falar sobre expressão de gênero e o que fazer pra incluir pessoas não-binárias na sua obra. Continuar lendo

Star Wars Nas Mãos de Carrascos

Lucasarts. Grande lucasarts. Essa foi um grande estúdio e uma grande publicadora, não foi?

Como estúdio, a empresa desenvolveu os seus próprios clássicos. Grim Fandango, Monkey Island, Day of The Tentacle. E como publicadora, assegurou que um dos maiores legados do mundo do cinema também tivesse sua presença reconhecida no mundo dos videogames.

Foram mais de 30 jogos recebendo o título de Star Wars no seu tempo e (quase) todos eles, clássicos (tá, talvez eu esteja sendo generosa demais). O legado Star Wars no mundo dos videogames é, eu diria, ainda maior do que no cinema. Seus títulos criaram gêneros, definiram padrões, geraram grandes nomes na indústria.

Mas tudo isso morreu em 2013, depois que a empresa mãe da Lucasarts, Lucasfilm, foi comprada pela Disney. E fechou as portas da uma vez grande criadora de jogos sem qualquer cerimônia. Continuar lendo

Resenha: Attack on Titan – Deck Building Game

Attack on Titan – The Deck Building Game é um jogo cooperativo (com modo de jogo solitário) de construção de baralhos desenvolvido pela Cryptozoic e publicado em novembro de 2016, baseado na série de animação japonesa de mesmo nome que FAZ MEU CORAÇÃO PARAR TODA SEMANA.

Infelizmente o jogo não faz o meu coração parar do mesmo jeito que o desenho, mas ainda é divertido. Continuar lendo

O problema não-binário

Eu vou me posicionar diante de uma questão que costuma dividir o transativismo de forma bastante violenta, e eu honestamente não tenho ideia de como fazer isso sem acabar ofendendo alguém ou sendo respeitosa com todas as partes possíveis. Eu tenho a impressão que esse assunto inevitavelmente vai machucar alguém a não ser que todomundo aprenda a agir como adultos. Então eu não vou tentar esconder nem deixar “mais amena” minha opinião sobre isso.

Eu vejo websites como o orientando.org e eu honestamente fico me perguntando, o que há de errado com essa adolescência que precisa tanto se afirmar fora do padrão que inventa “identidades” completamente sem sentido, e potencialmente ofensivas como “kingênero”? E ao mesmo tempo eu vejo pessoas criticando pessoas assexuais ou arromânticas chamando-lhes de “floquinhos de neve” e não consigo entender direito de onde vêm tanta necessidade de negar identidades inofensivas. Continuar lendo

Ubisoft: The Movie

Alguém aqui assistiu Assassin’s Creed? Em teoria eu assisti, mas não tenho certeza se isso funciona na prática. Esse filme não faz sentido nenhum. Assim como as práticas do mercado de videogames AAA. Esse filme parece até uma alegoria pra elas.

Eu vou ser a primeira pessoa admitir: Eu gosto de Assassin’s Creed. Assassin’s Creed é uma bosta hoje em dia, e a Ubisoft representa tudo que há de ruim na indústria AAA ocidental, mas eu gosto. Eu me divirto. Tenho uma tradição de sempre jogar o último assadinho junto com um amigo próximo meu e a gente adora cada nova entrada ruim na série.

Mas eu não posso perdoar o filme. E muito a Ubisoft.

E não se preocupem que não vai ter spoiler. Continuar lendo