Mas Naquela Época! Introdução & História do Preconceito Sexual

Fantasia Medieval. Meu gênero de ficção favorito pra ser honesta. Ele nos da dragões, magia, e uma base semelhante o suficiente a história do nosso próprio mundo pra explorar problemas mais pé no chão que talvez não sejam possíveis nos gêneros de ultra-high-fantasy ou sci-fi.

Okay, talvez isso seja só uma desculpa pra um certo fetichismo nórdico criado por Tolkien. Mas é um gênero MUITO popular! Principalmente no mundo do RPG. E justamente por ser tão popular ninguém pensa muito sobre. “Ah, é só mais um D&D” pensam os céticos quando olham pra uma caixa de Dragon Age. Mas algumas dessas caixas tem mais do que os olhos podem ver.

John R. R. Tolkien, Robert E. Howard, Dave Arneson e Gary Gygax criaram todas as regras silenciosas da Fantasia Medieval, que ninguém questiona ou põe a prova. E os seus trabalhos eram abertos o suficiente (principalmente o D&D) pra que qualquer suposição que o seu publico alvo tem sobre a realidade acaba entrando ainda mais silenciosamente dentro desse léxico fantástico.

E eu quero desafiar esse léxico. Muita gente gosta de usar esse gênero de fantasia pra justificar comportamentos preconceituosos, usando principalmente do argumento “MAS NAQUELA ÉPOCA”. E é disso que se tratará essa série de textos. Eu quero desafiar a noção do público da Fantasia Medieval de o que “aquela época” significa. E com isso talvez você saia daqui aprendendo alguma coisa nova.

Vamos começar pelo começo. Literalmente. Continuar lendo

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Representando a expressão não binária

Deusa abençoe a desenvolvedora que apareceu pra falar comigo ante-ontem pedindo conselhos sobre inclusão não-binária pro jogo dela.

Sério, amiga. Sem você eu não teria o que postar esse mês no  blog (mentira, teria sim, mas eu to enrolando o máximo possível pra falar sobre o assunto que eu tenho guardado aqui comigo).

Então vamos falar sobre expressão de gênero e o que fazer pra incluir pessoas não-binárias na sua obra. Continuar lendo

Poema – Introvertida

Arte por げみコミティアす59b

Então. Eu to fazendo o cursinho pré-vestibular Tô Passada, criado pelo Transgrupo Marcela Prado e a gente anda tendo umas aulas de literatura; que sempre foram as minhas aulas favoritas no ensino médio. E pra quem não sabe, eu sou uma poeta amadora, então eu tenho muito gosto por brincar com palavras, e essas aulas tem me deixado animada de uma maneira que eu não ficava a muito tempo.

Aí a minha professora, Julia Raiz, autora do blog Totem & Pagu me disse que poetas tem uma obrigação moral de mostrar sua poesia pro público, porque “o poeta sabe que não é ele. São as outras pessoas.”

Isso tem ficado na minha cabeça à dias e agora eu to tipo… Quer saber? foda-se. Vou colocar poesia no FGD sim! Mas eu conheço meu público, e eu não quero alienar vocês com meus devaneios românticos sobre amor e existência. Então vou me limitar às minhas obras mais nerdinhas e transgêneras. E eu vou começar com meu poema mais fofo até agora: Introvertida.

Já aviso que ele é mega contemporâneo/modernista/sem forma nem ritmo nem rima. Esse é o tipo de coisa que eu sei escrever. Desculpa aí pra quem tava esperando algo mais bunitinho. Continuar lendo