O Jeito Certo de Jogar

Eu quero tirar uma folga e escrever alguma coisa curta que não precise de um mês inteiro de pesquisa pra falar sobre. Então acho que Dark Souls é um bom tópico ao qual sempre dá pra voltar. Ainda mais essa semana que saiu o Dark Souls Remastered. Continuar lendo

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Mas Naquela Época! Introdução & História do Preconceito Sexual

Fantasia Medieval. Meu gênero de ficção favorito pra ser honesta. Ele nos da dragões, magia, e uma base semelhante o suficiente a história do nosso próprio mundo pra explorar problemas mais pé no chão que talvez não sejam possíveis nos gêneros de ultra-high-fantasy ou sci-fi.

Okay, talvez isso seja só uma desculpa pra um certo fetichismo nórdico criado por Tolkien. Mas é um gênero MUITO popular! Principalmente no mundo do RPG. E justamente por ser tão popular ninguém pensa muito sobre. “Ah, é só mais um D&D” pensam os céticos quando olham pra uma caixa de Dragon Age. Mas algumas dessas caixas tem mais do que os olhos podem ver.

John R. R. Tolkien, Robert E. Howard, Dave Arneson e Gary Gygax criaram todas as regras silenciosas da Fantasia Medieval, que ninguém questiona ou põe a prova. E os seus trabalhos eram abertos o suficiente (principalmente o D&D) pra que qualquer suposição que o seu publico alvo tem sobre a realidade acaba entrando ainda mais silenciosamente dentro desse léxico fantástico.

E eu quero desafiar esse léxico. Muita gente gosta de usar esse gênero de fantasia pra justificar comportamentos preconceituosos, usando principalmente do argumento “MAS NAQUELA ÉPOCA”. E é disso que se tratará essa série de textos. Eu quero desafiar a noção do público da Fantasia Medieval de o que “aquela época” significa. E com isso talvez você saia daqui aprendendo alguma coisa nova.

Vamos começar pelo começo. Literalmente. Continuar lendo

Representando a expressão não binária

Deusa abençoe a desenvolvedora que apareceu pra falar comigo ante-ontem pedindo conselhos sobre inclusão não-binária pro jogo dela.

Sério, amiga. Sem você eu não teria o que postar esse mês no  blog (mentira, teria sim, mas eu to enrolando o máximo possível pra falar sobre o assunto que eu tenho guardado aqui comigo).

Então vamos falar sobre expressão de gênero e o que fazer pra incluir pessoas não-binárias na sua obra. Continuar lendo

Persona 5 Um Problema de Idades?

CW: Discussão sobre pedofilia.

Persona 5 é um joguinho complicado né? Não, não mecanicamente. Ele é complicado de se falar sobre os temas. E não, não é por causa que os temas são pesados. E sim porque as mensagens que ele passa são contraditórias.

E dependendo do seu olhar, o jogo parece ter umas definições um pouco maleáveis demais do que é ou não é uma relação sexual aceitável. É uma questão complicada de um jogo complicado vindo de uma cultura complicada. E eu quero falar dessas complicações.

Spoilers adiante. Continuar lendo

Star Wars Nas Mãos de Carrascos

Lucasarts. Grande lucasarts. Essa foi um grande estúdio e uma grande publicadora, não foi?

Como estúdio, a empresa desenvolveu os seus próprios clássicos. Grim Fandango, Monkey Island, Day of The Tentacle. E como publicadora, assegurou que um dos maiores legados do mundo do cinema também tivesse sua presença reconhecida no mundo dos videogames.

Foram mais de 30 jogos recebendo o título de Star Wars no seu tempo e (quase) todos eles, clássicos (tá, talvez eu esteja sendo generosa demais). O legado Star Wars no mundo dos videogames é, eu diria, ainda maior do que no cinema. Seus títulos criaram gêneros, definiram padrões, geraram grandes nomes na indústria.

Mas tudo isso morreu em 2013, depois que a empresa mãe da Lucasarts, Lucasfilm, foi comprada pela Disney. E fechou as portas da uma vez grande criadora de jogos sem qualquer cerimônia. Continuar lendo

Devaneios Sobre Críticas à Crítica de Jogos

Gamers não sabem lidar com responsabilidade.

Você dá uma tesoura pra eles cortarem uma revista pra um trabalho de escola e um aparece com um recorde no formato de um pênis enquanto o outro aparece com o olho sangrando dizendo “mamãe, as SJW me atacaram”. Aí você pergunta “como” e ele responde “dizendo que eu não podia enfiar a tesoura no meu olho, aí eu enfiei, e tá doendo”.

Eu não sei dizer se as comunidades envolvidas em outras mídias são tão infantis quanto essa. Mas é tão raro alguém saber lidar com responsabilidade, que toda vez que eu vejo, eu acho que a pessoa merece um prêmio. Continuar lendo

Tagarelando Sobre Persona 5

Persona 5 é um bom jogo. Mas só “bom” não vai tão longe quando se considera um dos seus antecessores, Persona 3, uma das obras primas do mundo do videogame.

Mas seja como for, Persona 5 é um jogo que fez a lição de casa – mesmo que não tenha sabido como implementar ela.

Não deve ser segredo pra vocês que o conceito principal da série, e seu título, foi baseado no estudo da psicologia arquetípica de Carl G. Jung, a Persona que é um tipo de arquétipo análogo a máscaras que usamos durante o dia a dia para nos apresentar para o mundo ao nosso redor. Mas enquanto em outros jogos essa ideia de arquétipos não passava de uma nota de rodapé e de um pequeno contexto para as situações mirabolantes que os adolescentes que protagonizam essa série passam, Persona 5 NÃO CALA A BOCA SOBRE ARQUÉTIPOS. Trickster, cognição, subconsciente coletivo. Você vai ouvir essas palavras durante o jogo de novo e de novo até a exaustão e depois mais um pouco.

É de se esperar, afinal de contas é o Persona que saiu depois da publicação do Livro Vermelho, o famigerado livro dos sonhos de Carl Jung, que algumas pessoas teorizavam ser o motivo do esquema de cores desse novo jogo ser vermelho. Mas será que ele faz juz a essa expectativa que o jogo coloca sobre si mesmo?

Como eu gastei mais de 120 horas da minha vida em Persona 5 e como eu tinha altas expectativas pro jogo, eu quero fazer alguns artigos envolvendo alguns aspectos literários dele. Mas antes eu queria expressar um sentimento que eu tenho em relação ao jogo…

Persona 5 é uma sequência né? Não se preocupem não tem spoilers a seguir. Continuar lendo

Um Caso de Consequências – Hellblade, The Cat Lady, Downfall e Atipicidades Mentais

Eu tava demorando muito já pra tratar desse assunto por que surgiram alguns problemas essa semana, que por acaso foi a mesma semana que eu terminei de jogar Hellblade: Senua’s Sacrifice.

E que jogo do caralho. A música, os sons, a arte. Quase tudo sobre Hellblade é incrível, mas eu sinto a necessidade de tratar um assunto específico em relação a esse jogo e outros dois jogos famosos sobre atipicidades mentais que por acaso também foram um marco grande na minha vida: Downfall e The Cat Lady.

Vou tentar manter o texto sem spoilers de Hellblade, mas de Downfall e The Cat Lady serão inevitáveis. Continuar lendo