Tagarelando Sobre Persona 5

Persona 5 é um bom jogo. Mas só “bom” não vai tão longe quando se considera um dos seus antecessores, Persona 3, uma das obras primas do mundo do videogame.

Mas seja como for, Persona 5 é um jogo que fez a lição de casa – mesmo que não tenha sabido como implementar ela.

Não deve ser segredo pra vocês que o conceito principal da série, e seu título, foi baseado no estudo da psicologia arquetípica de Carl G. Jung, a Persona que é um tipo de arquétipo análogo a máscaras que usamos durante o dia a dia para nos apresentar para o mundo ao nosso redor. Mas enquanto em outros jogos essa ideia de arquétipos não passava de uma nota de rodapé e de um pequeno contexto para as situações mirabolantes que os adolescentes que protagonizam essa série passam, Persona 5 NÃO CALA A BOCA SOBRE ARQUÉTIPOS. Trickster, cognição, subconsciente coletivo. Você vai ouvir essas palavras durante o jogo de novo e de novo até a exaustão e depois mais um pouco.

É de se esperar, afinal de contas é o Persona que saiu depois da publicação do Livro Vermelho, o famigerado livro dos sonhos de Carl Jung, que algumas pessoas teorizavam ser o motivo do esquema de cores desse novo jogo ser vermelho. Mas será que ele faz juz a essa expectativa que o jogo coloca sobre si mesmo?

Como eu gastei mais de 120 horas da minha vida em Persona 5 e como eu tinha altas expectativas pro jogo, eu quero fazer alguns artigos envolvendo alguns aspectos literários dele. Mas antes eu queria expressar um sentimento que eu tenho em relação ao jogo…

Persona 5 é uma sequência né? Não se preocupem não tem spoilers a seguir. Continuar lendo

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Trans In Games – Persona 4 – Naoto Shirogane

Eu fiquei enrolando esse post acho que por mais de um mês. Esse assunto, Naoto e Persona 4, é um assunto muito delicado pra mim. Principalmente porque ele era meu jogo favorito na minha pré-adolescência, mas aí eu fui jogar ele de novo depois de ter começado a minha transição e eu chorei toda vez que via o Naoto, e fiquei com um desgosto enorme pelo Kanji e pelos demais personagens homens cis do jogo.

A misoginia e a homofobia reproduzida por essas personagens é de doer no peito. Ainda mais em um jogo com uma história tão profunda e complexa quanto esse. Eu me sinto triste toda vez que penso em Persona 4. Eu sinto que vou ter um ataque de pânico toda vez que ouço alguém se referir ao Naoto usando pronomes, artigos e adjetivos femininos.

Meu objetivo nesse post já deixou de ser desafiar o canon e provar que o Naoto é homem. Também já deixou de ser denunciar a misoginia, a transfobia, e a homofobia que existe no jogo. Agora é só um desabafo. Preciso tirar essa pedra do meu caminho pra poder continuar com as demais personagens trans maravilhosas que o nosso mundo de videogames tem pra oferecer.

Se eu vou chorar toda vez que abro o editor desse arquivo, vamos chorar pra valer, e chorar tudo de uma vez. Eu nem comecei a falar dele e já estou chorando. Esse assunto é super trigger, então, por favor, gente. Sem comentários babacas dessa vez.

Spoilers de Persona 4 adiante. Continuar lendo