Para nos tornarmos melhores do que nós mesmas

Ontem a noite, muitas de nós pensamos em desistir. Foi coisa demais pra uma noite só. Nossas famílias parentes e amigos – mais de 49 milhões de pessoas – nos traíram.
A gente se sente derrotada. O Bolsonaro nem venceu ainda e as redes sociais estão borbulhando com crimes de ódio contra nós.

As mais vulneráveis entre nós pensam em fugir pro Uruguai, Argentina ou Europa. E eu empatizo com elas, e desejo sorte no que decidirem fazer, mas A Onda do fascismo não parou nas fronteiras da Alemanha, não parou nas fronteiras dos Estados Unidos, e certamente não vai parar nas fronteiras do Brasil.

Não vou dizer pra ninguém fazer algo que se sinta desconfortável fazendo, mas estamos todas no mesmo barco, e a luta contra o fascismo é maior do que qualquer uma de nós. Mais do que nunca é hora da gente se unir, e militar como nunca militamos antes.

Existem duas coisas que nós devemos fazer agora que o segundo turno mais importante da história do país está há semanas de distância: Continuar lendo

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O Jeito Certo de Jogar

Eu quero tirar uma folga e escrever alguma coisa curta que não precise de um mês inteiro de pesquisa pra falar sobre. Então acho que Dark Souls é um bom tópico ao qual sempre dá pra voltar. Ainda mais essa semana que saiu o Dark Souls Remastered. Continuar lendo

Mas Naquela Época! História do Preconceito Sexual na Fantasia Medieval

Trigger Warning: Weird Tales. As Crônicas de Gor. Não tente satisfazer sua curiosidade mórbida.

Enrolei pra caralho. Mais de um mês, mas aqui estou de volta ao reino dos mortais para falar de Fantasia Medieval e do porque eu gosto tanto de Dragon Age e não consigo calar a boca sobre esse negócio. Mas antes de falar da desconstrução do gênero, é bom a gente falar da construção dele. Em específico sobre a relação dele com preconceitos sexuais.

Da última vez nós falamos da origem dos preconceitos sexuais no nosso mundo. E aquela foi uma discussão extremamente interessante e elucidativa, mas por que ela é importante pra falar de fantasia? Fantasia é o que quer que surja nas nossas imaginações, não é mesmo? Então por que isso deveria importar? Continuar lendo

Mas Naquela Época! Introdução & História do Preconceito Sexual

Fantasia Medieval. Meu gênero de ficção favorito pra ser honesta. Ele nos da dragões, magia, e uma base semelhante o suficiente a história do nosso próprio mundo pra explorar problemas mais pé no chão que talvez não sejam possíveis nos gêneros de ultra-high-fantasy ou sci-fi.

Okay, talvez isso seja só uma desculpa pra um certo fetichismo nórdico criado por Tolkien. Mas é um gênero MUITO popular! Principalmente no mundo do RPG. E justamente por ser tão popular ninguém pensa muito sobre. “Ah, é só mais um D&D” pensam os céticos quando olham pra uma caixa de Dragon Age. Mas algumas dessas caixas tem mais do que os olhos podem ver.

John R. R. Tolkien, Robert E. Howard, Dave Arneson e Gary Gygax criaram todas as regras silenciosas da Fantasia Medieval, que ninguém questiona ou põe a prova. E os seus trabalhos eram abertos o suficiente (principalmente o D&D) pra que qualquer suposição que o seu publico alvo tem sobre a realidade acaba entrando ainda mais silenciosamente dentro desse léxico fantástico.

E eu quero desafiar esse léxico. Muita gente gosta de usar esse gênero de fantasia pra justificar comportamentos preconceituosos, usando principalmente do argumento “MAS NAQUELA ÉPOCA”. E é disso que se tratará essa série de textos. Eu quero desafiar a noção do público da Fantasia Medieval de o que “aquela época” significa. E com isso talvez você saia daqui aprendendo alguma coisa nova.

Vamos começar pelo começo. Literalmente. Continuar lendo

Representando a expressão não binária

Deusa abençoe a desenvolvedora que apareceu pra falar comigo ante-ontem pedindo conselhos sobre inclusão não-binária pro jogo dela.

Sério, amiga. Sem você eu não teria o que postar esse mês no  blog (mentira, teria sim, mas eu to enrolando o máximo possível pra falar sobre o assunto que eu tenho guardado aqui comigo).

Então vamos falar sobre expressão de gênero e o que fazer pra incluir pessoas não-binárias na sua obra. Continuar lendo

Persona 5 Um Problema de Idades?

CW: Discussão sobre pedofilia.

Persona 5 é um joguinho complicado né? Não, não mecanicamente. Ele é complicado de se falar sobre os temas. E não, não é por causa que os temas são pesados. E sim porque as mensagens que ele passa são contraditórias.

E dependendo do seu olhar, o jogo parece ter umas definições um pouco maleáveis demais do que é ou não é uma relação sexual aceitável. É uma questão complicada de um jogo complicado vindo de uma cultura complicada. E eu quero falar dessas complicações.

Spoilers adiante. Continuar lendo

Star Wars Nas Mãos de Carrascos

Lucasarts. Grande lucasarts. Essa foi um grande estúdio e uma grande publicadora, não foi?

Como estúdio, a empresa desenvolveu os seus próprios clássicos. Grim Fandango, Monkey Island, Day of The Tentacle. E como publicadora, assegurou que um dos maiores legados do mundo do cinema também tivesse sua presença reconhecida no mundo dos videogames.

Foram mais de 30 jogos recebendo o título de Star Wars no seu tempo e (quase) todos eles, clássicos (tá, talvez eu esteja sendo generosa demais). O legado Star Wars no mundo dos videogames é, eu diria, ainda maior do que no cinema. Seus títulos criaram gêneros, definiram padrões, geraram grandes nomes na indústria.

Mas tudo isso morreu em 2013, depois que a empresa mãe da Lucasarts, Lucasfilm, foi comprada pela Disney. E fechou as portas da uma vez grande criadora de jogos sem qualquer cerimônia. Continuar lendo

Devaneios Sobre Críticas à Crítica de Jogos

Gamers não sabem lidar com responsabilidade.

Você dá uma tesoura pra eles cortarem uma revista pra um trabalho de escola e um aparece com um recorde no formato de um pênis enquanto o outro aparece com o olho sangrando dizendo “mamãe, as SJW me atacaram”. Aí você pergunta “como” e ele responde “dizendo que eu não podia enfiar a tesoura no meu olho, aí eu enfiei, e tá doendo”.

Eu não sei dizer se as comunidades envolvidas em outras mídias são tão infantis quanto essa. Mas é tão raro alguém saber lidar com responsabilidade, que toda vez que eu vejo, eu acho que a pessoa merece um prêmio. Continuar lendo

Apropriação Transgênera (Um Resumo) – SBGames 2017

Nos dias 2, 3 e 4 de Novembro desse ano (2017) aconteceu a 13ª SBGames, um evento nacional sobre a pesquisa acadêmica e o desenvolvimento de videogames. E foi uma SBGames bastante especial por que a Thais Weiller – mulher mais incrível deste planeta – estava lá e resolveu montar um espaço pra gente falar de diversidades nos jogos, prontamente chamado de Jogos Diversos.

Este espaço foi ocupado por palestras maravilhosas de projetos e pesquisas que estão acontecendo ao redor desses temas, junto com rodas de conversa contando com a participação de algumas pessoas bastante incríveis como a Letícia Rodrigues, Beatriz Blanco, Lucas Goulart, Tainá Félix, Luiz Bragança, Tathiana Sanches, e mais um mundo de pessoas que eu não tenho como lembrar o nome e/ou linkar os seus projetos.

Tiveram duas mesas das quais eu participei, e eu quero falar das minhas apresentações nessas mesas aqui no blog porque muita gente tem me falado “nossa, que legal, Felicia. Do que você falou?” e eu posso simplesmente linkar este post para elas. Sem falar que na primeira apresentação eu estava nervosa que só o diabo e não consegui falar tudo que eu queria. Espero poder compensar aqui.

Mas uma dessas apresentações não será necessário falar sobre por que no Dia 4 eu basicamente só repeti as coisas que estão escritas no post recente Um Caso de Consequências – Hellblade, The Cat Lady, Downfall e Atipicidades Mentais.

A apresentação do Dia 3 foi uma compilação de outros assuntos que tratei no blog, mas eles estão espalhados de forma confusa. Então por que não fazer um post no blog resumindo essa história da mesma forma que fiz na SBGames?

Vamos lá! Continuar lendo