Um Caso de Consequências – Hellblade, The Cat Lady, Downfall e Atipicidades Mentais

Eu tava demorando muito já pra tratar desse assunto por que surgiram alguns problemas essa semana, que por acaso foi a mesma semana que eu terminei de jogar Hellblade: Senua’s Sacrifice.

E que jogo do caralho. A música, os sons, a arte. Quase tudo sobre Hellblade é incrível, mas eu sinto a necessidade de tratar um assunto específico em relação a esse jogo e outros dois jogos famosos sobre atipicidades mentais que por acaso também foram um marco grande na minha vida: Downfall e The Cat Lady.

Vou tentar manter o texto sem spoilers de Hellblade, mas de Downfall e The Cat Lady serão inevitáveis. Continuar lendo

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Violências Lúdicas e Simulação de violências reais

Da última vez nós discutimos sobre o que é violência dentro de um jogo, o que são agentes, e como eles se interligam. E chegamos a uma semi-conclusão de que a pergunta “porque jogos são tão violentos”, por mais que não seja falaciosa, é mal direcionada.

Violência dentro de um jogo pode tomar várias formas que podem ou não ter a ver com violências nocivas que podemos ser obrigadas a enfrentar no mundo real.

É sobre isso que quero falar hoje. E sobre como essas violências es assemelham ou se diferenciam quando se manifestam em reinos lúdicos diferentes.

Pra entender esse post você vai ter que ler o seguinte:

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Agência e Violência Dentro Dos Círculos Mágicos

Vamos falar de problemáticas de Design?

Você já deve ter notado que videogames tem uma tendência bastante… violenta. O tempo todo nós estamos atirando, assassinando e pulando nas cabeças dos nossos inimigos. Até o simples ato de desfazer uma linha de crochê é, por definição, um ato de violência no contexto de Kirby’s Epic Yarn.

Porque isso acontece? Continuar lendo

Correção: Reinos Lúdicos São Dinâmicas, Não Gêneros.

Sabe quando você tá pesquisando um assunto aí você nota que tem que escrever sobre outro assunto antes, aí você escreve, aí volta pra pesquisa, e nota que você falou bosta, e aí se corrige, quando se corrige nota que precisa falar de mais um aspecto antes de chegar no assunto final, e aí fica morrendo de medo de quando você realmente tiver o conteúdo pra chegar no assunto final note que ainda falta merda pra ser falada?

É, pesado.

Mas esse post vai ser um adendo curtinho pra outros dois textos que publiquei anteriormente. Continuar lendo

Reinos Lúdicos: Jogos Digitais, Analógicos e Emocionais

To me sentindo uma bióloga aqui.

Eu to faz dias tentando escrever sobre vários assuntos relacionados a design de jogos, mas tá difícil porque a Felicinha de vocês resolveu brigar com os acadêmicos já situados dentro do mundo dos jogos e começou a usar os próprios termos. E eu só vou conseguir publicar essas paradas depois que eu definir esses termos. Então eu acho que vou ser obrigada a começar a falar pra vocês as minhas teorias malucas totalmente fora do “consenso geral” (pra falar a verdade, eu acho que ludologia é um estudo tão jovem que nem tem como existir um consenso geral ainda. Eu já vi pelo menos uns 3 nomes diferentes pra Dissonância Ludonarrativa).

Então eu quero começar a falar sobre os reinos lúdicos. Essa é uma teoria que surgiu na minha cabeça nas últimas semanas enquanto pesquisava um assunto relacionado a “jogos digitais”.

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Gêneros de Jogos parte 1 – Taxonomias e A Perspectiva da Desenvolvedora

Eta porroila, o site já tem 100 posts publicados. E a consistência de conteúdo tá tão boa quanto miojo feito às pressas. Gênero aqui. Game Design ali. E por mais importante que seja a discussão sobre gêneros humanos e seus papeis, origens e naturezas na sociedade, eu to cansada de falar só sobre isso e quero falar sobre outro tipo de gênero: O gênero de videogames.

O jornalismo de videogames por muitas vezes não sabe direito como classificar um jogo. Final Fantasy X e Baldur’s Gate por algum motivo estão na mesma categoria de jogos mesmo um tendo tão a ver com o outro quanto os dois tem a ver com God of War.

Isso não é útil pra ninguém. No âmbito acadêmico fica difícil determinar o que torna tal jogo bem sucedido ou não, e como um consumidor, fica difícil de determinar que tipo de jogo você vai gostar ou não.

Eu vou dar os meus 2 centavos sobre como resolver esse problema. Seria prepotente da minha parte, é claro, tentar propor isso pra industria inteira quando eu nem se quer realmente faço parte dela, mas quem sabe chame a atenção de alguém que tenha mais conhecimento que eu, e influência de verdade, e crie uma proposta muito melhor do que a minha. Continuar lendo

NPCs e Construção de Mundo

Um assunto que tem se feito relevante em algumas situações nas quais eu tenho me encontrado recentemente é a construção de NPCs.

Eu tenho uma tendência a achar jogos de mundo aberto extremamente chatos, porque eu sou o tipo de jogadora que gosta de ver que minhas ações tem consequências significativas. Me dê um mundo repleto de pessoas sem rosto, todos com a mesma voz e a mesma falta de história, que simplesmente servem como parte de cenário para as peripécias, heroísmos ou terrorismos da sua personagem e eu vou ficar incrivelmente entediada em menos de 2 horas.

Eu não consigo gostar de GTA, Red Dead Redemption e outros jogos do gênero tanto quanto outras pessoas. E o único motivo pelo qual eu consigo me divertir com Skyrim é pelo aspecto de expressão pessoal – que simplesmente não existe nos GTAs da vida.

E eu culpo isso pela falta de NPCs profundos.

Enquanto eu também sou o tipo de jogadora que se encontra fascinada com mundos que vivem sem precisar da minha intervenção e está repleto de pessoas simplesmente vivendo suas próprias vidas e aventuras.

Um mundo é criado pelas pessoas que habitam nele, e a maior quantidade de pessoas que habitam um mundo de videogame são sempre NPCs.

Nesse artigo eu pretendo falar tanto sobre videogames quanto sobre jogos de mesa. Continuar lendo

A Beleza do Desequilíbrio

Vamos dar uma pausa na discussão sobre gênero pra falar de algo mais técnico que eu venho querendo abordar faz tempo.

Tem uma palavra que sempre que eu ouço, fazem meus ouvidinhos de designer coçarem como se eu tivesse com sarna. “Balanceamento”. E não é só o falso cognato com a palavra balancing que me deixa louca. O principal é o quanto as pessoas dão uma importância desnecessária pra isso.

Nem todo jogo precisa ser equilibrado. A falta de equilíbrio entre as forças opostas de um jogo muitas vezes são necessárias para garantir a força do tema do jogo, e a fluidez das suas mecânicas. Tentar “equilibrar” o seu jogo para que todas as partes tenham a mesma chance de “vencer” pode ser um grande desperdício de tempo, dinheiro e energia que acaba criando algo virtualmente inútil. Continuar lendo

A Fusão Entre Jogadore e Personagem

Fotografia por Priscilla Lacerda do Museu do RPG

Yay! Eu recebi a primeira colaboração da comunidade pro FGD. Blog que a pesar de levar o meu nome, é tão meu quanto de vocês. E esse post é sobre o tal do “bleeding”, um conceito que surgiu no mundo do LARP (Live Action Role Playing) e acabou sangrando pro resto do mundo dos jogos (Eu sou demais com trocadilhos né? Fala sério!)

E eu gostaria de vos lembrar que toda pessoa trans é mais do que bem vinda pra contribuir com o site de qualquer forma!

A FUSÃO ENTRE JOGADORE E PERSONAGEM

Por Flávio “Sol Mas Lua” Schmidlin

No mundo dos jogos e esportes existe uma expressão bastante comum, que é sempre repetida e cria uma expectativa de como se deve agir nos jogos. Diz-se sempre “leve na esportiva”. Mas qual a origem conceitual desta fala? Continuar lendo